26 de setembro de 2013

[rúbrica] ''A'' Francesa vai ao Queer Lisboa


A Francesa está de volta!
Ontem, quarta-feira, eu e o Miguel fomos ao Queer ver dois filmes do Travis Matthews: In Their Room - London e Interior. Leather Bar.


Como mulher heterossexual penso que tenho uma visão muito diferente destes filmes, talvez mais exterior, imparcial, periférica. Não me identifico com as personagens mas sinto uma empatia, sempre sem deixar de pensar que no fundo é tudo o mesmo, estamos todos à procura do amor.


In Their Room London faz parte de uma série de 3 filmes filmados em diferentes cidades, sendo este um documentário sobre alguns homens londrinos que procuram na internet e salas de chat encontros e homens. Ao longo dos 30 minutos, observamos a rotina destes homens tão diferentes – em idade, raça, interesses – até a campainha tocar e a pessoa que estava do outro lado do computador estar do outro lado da porta. Este filme fala sobre intimidade, sexo, amor, e tudo o que todos nós – gays ou não – queremos. O que mais gostei neste filme foi o facto de Matthews conseguir filmar cenas mais sexuais com planos bonitas, uma boa luz e uma qualidade surpreendente.
Mas o meu preferido foi o Interior. Leather Bar., também realizado pelo lindo e maravilhoso James Franco. Este filme é um documentário making-of do filme de 40 min que ambos também realizaram. Cruising foi um filme feito em 1980, protagonizado por Al Pacino e realizado por William Friedkin, que conta a história de um polícia que se infiltra numa discoteca gay para resolver uma série de homicídios. 40 minutos desse filme foram cortados e desapareceram, devido às cenas mais íntimas e sexuais passadas na discoteca. O que Franco e Matthews tentaram fazer foi reimaginar esses 40 minutos e fazer um filmes.



Nesse making-of acompanhamos um dia de filmagens, assistindo desde a chegada do ator que faz da personagem do Al Pacino, amigo de James Franco, heterossexual, casado, até que se vai embora. Acompanhamos os atores, a produção, os realizadores. Mas o que mais me marcou foi uma conversa entre o ator principal e o seu amigo, James Franco, em que discutem a razão para um ator como James se “meter” num projecto destes, o que o amigo não consegue compreender. Gostei muito de ouvir Franco, como homem heterossexual, tão preocupado em defender os direitos gays, argumentando sobre a injustiça que é ao nascermos, já termos ideais predefinidos de uma família, pai, mãe, filhos, casa com vedação no jardim. Ele quer passar uma mensagem, fazer cenas sexuais bem filmadas, que não são pornografia, fazer arte, desafiar-se. Na minha opinião, consegue. Das poucas cenas que passam no documentário, o ator principal está muito bem, a luz, o contraste e a captação do movimento e da promiscuidade dentro da discoteca está lindo. Numa cena de sexo, os realizadores conseguem captar um romantismo e carinho inesperado e genuíno.


Gostei imenso da minha estreia do Queer! É sempre bom ver e fazer coisas novas, manter a mente aberta, fugirmos da zona de conforto. É importante fazer isso. Estar sempre a aprender!
Ainda têm tempo para ir ao Queer, aproveitem!

Vemo-nos no próximo post,

Beijo d’A Francesa!

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